Navegar e o Futuro!
As palavras e os passos de Armstrong, as pegadas de Aldrin, e até o retiro sereno de Collins em órbita, servem bem ao épico, à história e às comemorações. E devem ser de fato brindados, porque coroam o épico.
Mas, como muitos sábios já disseram, o grande valor da jornada está no próprio caminhar. E as grandes estrofes da missão Apollo, que já lhe garantiriam a história, ainda que o pouso nunca tivesse acontecido, haviam sido escritas três apollos antes, quando a Apollo 8 fez a foto da Terra crescente, quando o desconhecido Bill Anders fotografou o nascer da Terra. Foi na véspera de Natal daquele ano que não poderia ser mais propício, 1968, que o quadro maravilhoso desenhou-se na janela da espaçonave. Uma cena que deixou estupefatos os astronautas, e deixaria bilhões de outros terráqueos igualmente admirados.
Foi esta a primeira vez que os humanos vimos a Terra em toda a sua fragilidade, contraposta à superfície de um outro corpo celeste. Em toda a sua magnificência e beleza, é verdade, mas apenas um planetinha, aquele “pálido ponto azul na imensidão do cosmos,” como o chamaria Carl Sagan.
Esta foto do nascer da Terra marcou outro nascimento, o da consciência ecológica, o início do importar-se com nosso planeta. Até 1968, preocupar-se com o meio ambiente era coisa de hippies. Agora, pela primeira vez, víamos nosso lar à distância, e o víamos solitário, contrastando com toda a imensidão do espaço. Talvez pela primeira vez, tenhamos nos sentido como humanidade, como conjunto, como se fôssemos um só. Tivemos que ir ao espaço para descobrir nosso próprio planeta.
Mas não demos um salto, não nos transformamos numa nova humanidade e tampouco demos um salto evolutivo que pudesse nos irmanar de vez. Tudo foi apenas um passo. O primeiro de uma longa caminhada que se iniciou então, rumo à preservação do nosso planeta.
Navegar é mesmo preciso. Navegar pelo espaço pode ter-nos salvo do extermínio.